Implantodent - Orientações

Prevenção de câncer bucal

O câncer de boca ocupa uma posição de destaque entre os tumores malignos do organismo devido a sua relativa incidência e mortalidade. A prevenção e o diagnóstico precoce podem ser realizados pelo cirurgião-dentista através dos seguintes procedimentos: correto exame clínico; afastamento dos fatores co-carcinógenos; diagnóstico e tratamento das lesões cancerizáveis; exames complementares (principalmente biópsia e citologia exfoliativa) e orientação e estimulação ao auto-exame.
Fatores co-carcinógenos são fatores que predispõem o paciente a desenvolver um tumor maligno; na boca, podemos citar principalmente o etilismo (álcool) e o tabagismo (cigarro, cachimbo etc.), as condições precárias de higiene (dentes quebrados, raízes residuais, tártaro etc.) e as próteses inadequadas ou em más condições (dentaduras e pontes fraturadas ou que causam algum ferimento).


Câncer Fatores Predisponentes

Como em outras neoplasias malignas, o câncer de boca tem o seu desenvolvimento estimulado pela interação de fatores ambientais (agentes cancerígenos ou carcinógenos) e fatores do hospedeiro (idade, raça, sexo e herança genética). Estudos epidemiológicos tem demonstrado que 80 a 90% dos cânceres estão associados a fatores ambientais. Deve-se entender por ambiente o meio em geral (água, terra e ar), o ambiente ocupacional (indústrias químicas), o ambiente de consumo (alimentos, medicamentos e produtos de uso doméstico) e o ambiente cultural (estilo e hábitos de vida). A conjugação destes fatores, associados ao tempo de exposição, intensidade são condições básicas na gênese dos tumores malignos que acometem a boca. Porém, os fatores externos parecem exercer um papel preponderante. É importante salientar que muitas associações entre a exposição a determinados fatores e a ocorrência de câncer não são claras, requerendo investigação mais apurada.

A seguir serão apresentados os principais fatores ambientais relacionados ao câncer bucal.

TABAGISMO

A organização Mundial da Saúde registra mais de 60 mil pesquisas comprovando a relação causal entre o uso do cigarro e doenças graves como câncer de pulmão (90%), enfisema pulmonar (80%), infarto do miocárdio (25%) e derrame cerebral (40%).
Como exemplo da ação tóxica do cigarro citamos o câncer de pulmão, em que a quantidade de cigarros fumados por dia é proporcional ao risco de desenvolver a doença. Um indivíduo que fuma de 1 a 9 cigarros por dia, tem 5 vezes mais chance de apresentar câncer quando comparado a um não-fumante. Também as pessoas que não fumam, mas convivem com fumantes, (denominados de fumantes passivos), têm chances de desenvolver a doença. Há mais de 200 anos atrás havia a suspeita da relação existente entre o câncer bucal e o tabagismo (tabaco fumado e mascado).
O hábito de fumar cigarros, charutos, cachimbos e cigarros de palha constituem a principal causa do câncer de pulmão, laringe e cavidade bucal. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o tabaco é a maior causa isolada de doenças e mortes no mundo.
A incidência é maior nos homens, porém, o risco é semelhante em ambos os sexos.
Estudos comprovaram que o risco relativo para o desenvolvimento de câncer de boca é maior entre os usuários de tabaco quando comparado com os não tabagistas. Esse risco está baseado no consumo de tabaco ao longo da vida do indivíduo, especialmente entre os usuários de cachimbo.
Na fumaça do tabaco, já foram detectadas mais de 60 substâncias I 1carcinogênicas. O alcatrão, um dos seus principais componentes, contém o benzopireno, potente agente cancerígeno e as aminas aromáticas. No fumo também são encontradas substâncias químicas utilizadas no seu cultivo, como pesticidas e elementos radioativos (Polônio-21 O).
As alterações ocorridas na mucosa, decorrentes da presença dessas substâncias, somam-se à exposição contínua ao calor desprendido pela combustão do fumo.
Os indivíduos que são portadores de úlceras bucais são mais vulneráveis, pois permitem o contato direto das substâncias e elementos agressivos com o tecido.
Após abandonar o hábito de fumar, são necessários 10 anos para o indivíduo tornar-se comparável ao não fumante.


ÁLCOOL

O consumo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de câncer de boca (assoalho da boca e língua).
Os mecanismos pelos quais o álcool pode agir no desenvolvimento deste câncer não estão ainda definitivamente esclarecidos: (1) aumento da permeabilidade das células da mucosa aos agentes carcinogênicos devido ao efeito solubilizante do álcool; (2) presença de substâncias carcinogênicas nas bebidas alcoólicas;(3) danos celulares produzidos pelos metabólitos do etanol (aldeídos); (4) deficiências nutricionais secundárias ao consumo crônico do próprio álcool.
Em estudos realizados, foi demonstrada a importância do consumo cumulativo de álcool etílico, tendo-se ainda comprovado que o vinho é mais importante do que a cachaça no que se refere ao câncer de língua, mesmo entre os consumidores moderados.
Para os consumidores crônicos, que associam todos os tipos de bebida alcoólica em níveis elevados de consumo, o risco relativo para o câncer de boca atingiu índices 8,5 a 9,2 vezes maior do que no grupo não-consumidor.
Quando o uso crônico de tabaco e álcool ocorrem concomitantemente, o risco para o câncer bucal é potencializado drasticamente.
Salientamos ainda que e o álcool é o agente causal da cirrose hepática e pode estar relacionado com o câncer de fígado. É causador também de doenças neurológicas e pancreáticas.


RADIAÇÕES

A radiação solar (raios ultravioleta) é capaz, no longo prazo, de produzir lesões de significativa importância biológica. Sendo assim, a exposição crônica à luz solar representa um fator de risco importante de uma das neoplasias malignas mais importantes da boca -o câncer do lábio inferior. É mais freqüente nos indivíduos de raça branca e no sexo masculino, que habitam as regiões quentes, próximas à linha do Equador. Este tipo de lesão é muito comum entre os marinheiros, pescadores e agricultores. A exposição repetida e excessiva aos raios solares, por períodos superiores a 15 anos, provoca alterações no lábio capazes de evoluírem para o carcinoma. O risco depende da intensidade e do tempo de exposição da pele e da mucosa e também da quantidade de pigmentação dos tecidos.
A primeira alteração somática resultante da exposição da luz solar é o eritema (vermelhidão) da pele. Indivíduos de pele clara que se expõem por períodos prolongados ao sol, principalmente no horário das 10 às 15 horas, devem se proteger com o uso de chapéu e filtros solares e dessa maneira, reduzir os efeitos nocivos desses raios sobre a pele, particularmente no lábio inferior.

FATORES OCUPACIONAIS

Diversos estudos têm demonstrado o aumento do risco de desenvolvimento do câncer de boca, quando se trabalha em indústrias de processamento de metais, couro, níquel, álcool isopropílico, ácido súlfúrico. Esses riscos seriam bastante limitados se os trabalhadores se submetessem aos meios de proteção que as indústrias devem fornecer. Na verdade, o fator ocupacional não é o agente cancerígeno. Ele apenas obriga as pessoas a se exporem agentes de risco em função da profissão.


AGENTES BIOLÓGICOS

Alguns agentes biológicos tem implicações na etiologia do câncer. Algumas dessas associações pesquisadas são listadas a seguir.
vírus Herpes simples (HSV) Tipo I -câncer de língua;
papilomavírus humano (HPV) -carcinoma verrucoso -uma possível transformação malígna nas lesões verrucosas da boca;
estomatites crônicas causadas pelo fungo Candida albicans em áreas irritadas por próteses mal adaptadas.

FATORES NUTRICIONAIS - DIETA

A falta de determinados nutrientes promove modificações da mucosa bucal, que podem predispor o aparecimento do câncer.
Evidências epidemiológicas tem demonstrado que existe uma relação inversa entre consumo de frutas frescas, principalmente as cítricas (laranja, limão) e vegetais em relação a incidência de câncer. A deficiência de ferro e Beta-caroteno, o precursor da vitamina A (encontradas na cenoura, mamão, abóbora, batata-doce, couve e espinafre), por exemplo, causa atrofia da mucosa aumentando a predisposição para o câncer de boca, faringe e esôfago.
Dieta pobre em proteínas, vitamina A, riboflavina, associada à ação de irritantes crônicos simultâneo, tem sido apontado como fator predisponente para o câncer de boca. O hábito de consumir alimentos e bebidas quentes não é considerado fator significante no desenvolvimento deste tipo de câncer. Também não está estabelecida uma relação de causa e efeito entre o uso de condimentos e este tipo de neoplasia.

HIGIENE BUCAL

A higiene bucal é medida pela freqüência de escovações. Indivíduos com maus hábitos de higiene bucal tem risco aumentado para o desenvolvimento de câncer bucal. Essa condição é observada com freqüência entre os etilistas e tabagistas. Estudos realizados mostraram que a agressão contínua da mucosa por dentes fraturados e escovação deficiente contribuíram para a elevação do índice de risco cerca de 1,3 a 2,6 vezes, respectivamente.


IRRITAÇÃO MECÂNICA CRÔNICA

A ação constante e prolongada de próteses mal adaptadas e de bordas cortantes de dente sobre a mucosa bucal constituem, ao longo dos anos, causas de lesões hiperplásicas. Essas ação pode induzir ao desenvolvimento do câncer de boca pela potencialização de outros agentes carcinogênicos que atuam na mucosa, particularmente em indivíduos com hábitos tabagistas e etilistas.